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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Bandeira

Bandeira
Zeca Baleiro

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio para sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele
Eu Não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau

Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo, ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)

És (Parte ll)

És (Parte II)
Wanderley Nunes

És o homem que antes foste o menino
És o mocinho que outrora foste vilão
És o forte que antes foste o fraco
És aquele que carrega seus sentimentos no coração.

És dono de tua própria guerra
És aquele que luta pela tua vitória
És aquele que esqueceu-se da tua terra
És aquele que tem muitas histórias.

És aquele que buscou o amor,
Mas só encontrou rancor
Buscou doçura
Só encontrou loucura.

És dono de sentimentos confusos
Es aquele que odeia e ama
Briga e depois chama
Chora e sabe que no fundo ama.

És aquele velhinho escrevendo suas memórias num papel de pão
És aquele que sofreu como um cão
És hoje aquele que tem a sensação de que um dia valeu a pena ter vivido
Ter amado e ter sofrido.

domingo, 16 de setembro de 2007

Paixão


PAIXÃO
Eduardo Potiguar

Chama que incendeia nosso coração,
E nos atinge sem esperarmos,
envolvendo-nos por completo,
Alterando nossa química,
Conduzindo nossos impulsos e emoções.
Não devemos procurar explicação para ela,
Pois não há, porém devemos procurar vivenciá-la,
Aproveitando todos os segundos de êxtase que nós
Certamente teremos, porque a paixão sempre é
passageira, no entanto, ela pode ser a porta
que se abre para o AMOR!!!

Mulher Misteriosa


MULHER MISTERIOSA
Eduardo Potiguar

Que mistério traz contigo?
Por que não posso saber?
De onde tu vens?
aonde queres chegar?

Uma mulher sem nome,
sei que não és, tens sorriso
nos lábios, lágrimas que caem
dos olhos, sentimentos que
afloram ao simples despertar.

As tuas poesias instigam
a curiosidade, o teu mistério
trás o fascínio do desconhecido
que precisa ser revelado.

Mas se não queres te mostrar agora,
continua com tuas poesias,
aos poucos saberei quem tu és,
os teus versos revelarão de quem é
a mão que segura a caneta.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Águias


Águias
Deborah Blando

Eu não consigo mais ter que esconder o quanto dói se toda vez temos que separar. Secaram todas as lágrimas.
Você tirou de mim o que eu senti, nunca ninguém me amou do jeito que você me quis, ainda é novo para mim.
Às vezes fico sonhando num futuro distante estaremos nós e me dá um nó.
Porque sei que o presente é incerto e ausente, e a realidade dói.
Você mudou meu jeito de sentir, tua coragem me fez ver da forma que eu nunca vi, iluminou tantas sombras em mim.
Nunca negou meu jeito de existir, pegou no colo a criança abandonada que não podia dormir.
Será que temos a chance de viver nossos sonhos quando amanhecer, será que a gente vê, o destino filmando a nossa memória e nos deixar viver.
Somos duas águias no céu a voar. A voar.
Que procuram na compaixão do vento um galho para pousar. De encontro ao mar pra navegar, como dois golfinhos seguem rindo da ironia.
Nós conseguimos o raro duas almas que unem sem deixar de ser, sem deixar de ver, que nada é eterno, mesmo invencível o amor há de vencer.
Seguindo o infinito pra voar, pra voar, procurando na compaixão do vento um campo pra pousar, pra mergulhar e voltar.
Às águas mais profundas onde não há o tempo pra separar.

A Volta da Solidão

A volta da solidão
Eduardo Potiguar


Foi quando achava que já sabia voar que me levaram as asas,

Foi quando me sentia livre para poder amar, me aprisionaram,
E eu novamente fiquei só na cela e na solidão relembrei
Os bons tempos da liberdade, como foi intenso,
Como foi puro o momento em que eu a recebi.
Eu não sabia que junto com ela surgiriam outros sentimentos,
Mas eu não me preocupei, não me defendi, apenas me doei,
Porque tudo o que eu mais queria era sentí-la na essência.
Ah, como sonhei tê-la para sempre...
Porém esqueci que tudo em nossa vida é passageiro.
Não vou chorar, somente se fosse de alegria,
Pois foi isso que todo o tempo ela me proporcionou,
Mas hoje o sentimento que aflora na minha alma
É a tristeza e eu não posso conter.
Cabe apenas aceitar o que me foi imposto,
Talvez, resultado da minha própria escolha.
Saudade, sentimento mais cruel que assola um ser,
Saudade não pelo que deixei de fazer,
Porque tudo o que ela me ofereceu aceitei com amor,
Nada foi desprezado, nada foi desperdiçado,
Mas saudade por não saber onde ela está,
Por não poder sentir suas asas em mim,
Por não poder vê-la transformar-se num outro sentimento,
Por não poder estar ao seu lado quando ela precisar,
Sei que um dia a saudade vai passar,
Então tudo o que vivemos se tornará recordação
Que guardarei no meu baú para quando tiver
Vontade de sorrir novamente, eu trazer de volta essa lembrança.
Mais feliz vou ficar ao saber que a liberdade um dia também,
Recordará-se feliz dos momentos em que meu deu asas,
Pois foi com elas que pude enxergar o mundo de outra maneira,
Pude ver a lua nascer como nunca tinha visto antes,
Pude pisar no tapete branco formado pelas ondas,
Pude correr na chuva, numa noite de primavera,
Pude me despir e sentir a pureza desse ato.
Desculpe por não ter sido também a sua liberdade,
Por não ter te dado asas para acompanhar-me
Nos momentos em que precisava.
E mesmo tendo dito que não faria,
Desculpe por chorar de tristeza,
Ao perceber que o momento é de despedida.

Sou eu


Sou eu
Eduardo Potiguar

Sou meio à toa,
Sou todo momento,
Sou sempre atento
para as ordens do coração.

Sou faca que corta,
Sou flor que perfuma,
Sou a foto que guarda
momento de muita emoção.

Sou dedos que falam,
Sou boca que cala,
Sou olhos fechados
que vêem a sua feição.

Sou a sua espera,
Sou o seu receio,
Sou a grade que abre
Pra sua libertação.

Sou o tempo que passa,
Sou o amigo que abraça,
Sou o sim que aguarda
sua confirmação.

Ps.: Este poema fala muito de mim, ele deixa claro quem sou eu!!!

Não sei o que fazer

NÃO SEI O QUE FAZER
Eduardo Potiguar


Não sei o que fazer,

Mas tudo leva a crer
Que eu sou normal.
Então por que ao
Amanhecer acordo
Pensando em você?

Será que você vai esperar?
Será que o amanhã vai chegar?
Será que o destino vai me ajudar?
O que será que será?

Não sei o que fazer,
Mas tudo leva a crer
Que eu sou normal.
Então por que ao
Anoitecer eu continuo
Pensando em você?

Você descobriu os meus segredos,
Ultrapassou as fronteiras do medo,
Criou nosso próprio universo
E juntos perdemos a razão.

Não sei o que fazer,
Mas tudo leva a crer
Que eu sou normal.
Não precisa entender,
Não precisa responder,
Basta apenas sentir
O que a paixão faz em você.

Sobre o Amor

SOBRE O AMOR...
Eduardo Potiguar


Sentimento presente até para os ausentes,
Centenas de definições, nenhuma a mais certa,
Quando novo é paixão,
Quando amadurece é comunhão,
Se for correspondido traz felicidade,
Mas se não for, é só dor!
Uns tem medo de expressá-lo,
Outros têm dificuldade em entendê-lo,
Muitos o procuram incansavelmente,
Alguns o desprezam constantemente,
Há sempre uma pessoa pra se amar,
Como também alguém que nos ame,
É a cura para um desamor,
É simplesmente amor,
É indispensável!

Amiga Minha


Amiga minha
Wanderley Nunes*


Amiga minha, eu sei, que só vives por ele que sabe também, mas ele não te vê como eu, a suplicar que eu diga, que ele me confessou entre taças, que é com tua pele que ele sonha à noite e enlouquece com cada botão que abres pensando em suas mãos.
Ele não te viu tremer, esperando uma palavra, algum gesto, um abraço.
Ele não te vê como eu, suspirando com os olhos abertos de par em par, a escutar, a nomear...
Ah! Amiga minha, eu sei e ele também.
Amiga minha, não sei o que dizer, nem o que fazer para te ver feliz.
Se Deus pudesse mandar na alma ou na liberdade. Que é o que faz falta a ele, encher os teus bolsos de guerras ganhadas de sonhos e ilusões renovadas.
Eu quero te dedicar uma poesia, tu pensas que estou dando as notícias.
Amiga minha, se Deus algum dia, ouvindo minha canção imediatamente entendesse que não quis contar tua história, porque poderia ser comovedora, mas me perdoa, amiga minha.
Não é inteligência nem sabedoria, esta é minha maneira de dizer as coisas, não é que seja o meu trabalho, é que é meu idioma.
Amiga minha, princesa de um conto infinito.
Amiga minha, só quero que contes comigo.
Amiga minha, a ver se por estes dias finalmente aprendo a falar sem ter que fazer tantos rodeios, por que toda essa história me importa porque é minha amiga.
Amiga minha...

Amiga Mía (Alejandro Sanz)
*Amiga minha - Tradução, versão e adaptação (Wanderley Nunes)
Ps.: Esta tradução e adaptação eu fiz em 1998, quando Alejandro Sanz lançou o cd Más! Não me responsabilizo por traduções feitas e lançadas na net!

Quem é ele?

Quem é ele?
Wanderley Nunes

Quem é ele?
Por que seus olhos parecem observar?
Por que será que ele tanto quer se reservar?
Por que ele só mostra seu olhar e nada mais?
Será que essa é uma forma de o deixarem em paz.

Quem é ele?
Com quem falo,
Com quem dou risada,
Com quem me calo,
Quem é esse menino?

Quem é ele?
Sei que ele estará sempre ali a observar
Sei que estará sempre ali sem julgar,
Sei que ele estará ali vendo a vida passar,
Mesmo assim eu ainda sei que ele estará a observar.

Quem é ele?
Que tem olhos e palavras,
Que tem carinho pelos amigos,
Será que ele tem inimigos?
Ou seus inimigos se tornam amigos?

Quem é ele?
Que nada sei,
Que vive onde não tem rei,
Que não sei qual à parte da vida dele no meu caminho,
Quem é ele que nunca deixa eu me sentir sozinho?
Ele é meu amigo! Isso me basta.

Sonhei com fogueiras


Sonhei com fogueiras

Sonhei com fogueiras. Fogueiras ciganas. Numa clareira, uma fogueira ardia, uma cigana dançava. Rodopios hipnóticos e uma música animada. Eu sentado, do outro lado da fogueira, via a cigana através do fogo. Estava ali, com as mãos apoiando o queixo vendo a bela figura rodopiar, guizos e sons, cantorias e alegria em volta dela. Vestido esvoaçante, pés descalços, dançando a luz da lua, meus olhos atravessando a fogueira, chegando aos seus olhos de fogo, que emanavam o milenar segredo cigano.
Seu nome eu não sabia, as pessoas ali presentes não diziam. Pensava ter ouvido seu nome por um instante, mas foi apenas o sussurro do vento ao meu redor. Ele citara um nome estranho, nome cigano que eu não conhecia. Citara muito baixinho no sussurro do vento, que o levou pelas árvores embora. Mas ela continuava a dançar, sem nome, sem nem pensar em parar. Seus pés levantavam poeira e desenhavam figuras no chão. Pareciam como as figuras na palma da minha mão.
Linha da vida, linha do tempo, linha indefinida. A música preenchia todo o vazio ao redor, seus olhos se cravavam nos meus como adagas furiosas, mas num furor de paixão, de uma cigana misteriosa.
De repente tudo ficou em silêncio, mas a dança continuava, agora mais eloqüente. Parecia uma linguagem que traduzia o que a cigana queria dizer sem palavras, pois seu corpo falava o que ela tinha em mente. Uma misteriosa mulher, que muitos assim a viam, parecendo apenas mulher, mas que eu via através da fogueira, na sua dança ininterrupta, seu interior flamejante. Os homens ali olhavam apenas o corpo, que parecia não cansar, eu olhava além da fogueira, o seu silêncio quebrado.
Ela fala, no silêncio, sem nem seu lábio mover, sobre o interior que ninguém conseguia ver. Passei a dizer para ela, não me lembro muito bem como foi que fiz isso, que a fogueira me mostrara, muito dela, muito mais além. Eu ouvia a sua voz, as palavras de seu interior, que a faziam bela e tão clara, quanto o fogo que a mim queimava.
Acordei do sonho. Sonhei com fogueiras... Fogueiras ciganas.


Ps.: Pessoal não sei quem é o autor desse texto se alguém souber me avise!!!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Vida


Vida

(Mário Quintana)

A vida são deveres que nós
trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando,
pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Dessa forma eu digo,
não deixe de fazer algo que gosta
devido à falta de tempo,
a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mensagem à Poesia (pessoal vale a pena ler)

Conheci este poema através do meu professor de Metodologia Científica Olívio, o poema é bom e vale a pena ser lido, no começo temos uma impressão e depois só após ler todo poema entendemos o que Vinicius quis passar.

Mensagem à Poesia
Vinicius de Moraes


Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é precisoreconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

Vinicius de Moraes, o verdadeiro poeta brasileiro, tenta resistir à poesia. O poema acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 160.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Metade

METADE
Eduardo Potiguar



Metade de mim segue em frente,

A outra pára e reflete.
Metade de mim dá amor,
A outra está carente.
Metade de mim é vibrante,
A outra inerte.
Metade de mim é felicidade,
A outra chora.
Metade de mim está presente,
A outra totalmente ausente.
Metade de mim decide,
A outra aceita decisões.
E ambas as partes formam
Meu ser, juntas convivem,
Separadas se mostram
Em momentos diferentes.

Amigo


Amigo 
Eduardo Potiguar


Não existe explicação para o amor de um amigo,
Aquele que é inconveniente nas horas certas,
Que chega sem avisar e nos pega
Ainda enxugando as lagrimas,
E então nos consola, nos ajuda e nos fortalece.
Aquele que compartilha de nossas alegrias
E nossas vitórias como se fossem as suas próprias,
Sem em nenhum momento sentir
O mínimo de inveja do nosso sucesso.
Aquele que faz questão de estar ao nosso lado
No momento onde nada de especial está acontecendo,
Apenas para fazer parte do nosso cotidiano,
Sentir o nosso calor, a nossa companhia,
Pois essas coisas pra ele já são grandes motivos.
Aquele que se junta a nós porque
Nossos sentimentos são recíprocos,
Verdadeiros e incondicionalmente sólidos.
Aquele que nem sempre concorda conosco
E às vezes nos diz verdades cruéis,
mas sempre quer o melhor pra gente.
Não precisamos de muitos amigos
E sim de termos algum, pois ele faz
Parte das coisas essenciais
Que devemos ter em nossa vida,
Agregando à nossa alma
Os sentimentos benéficos ao nosso corpo.

Amo-te

Amo-te
POEMA RECITADO PELA ATRIZ GLÓRIA MENEZES NA NOVELA PÁGINAS DA VIDA


Amo-te quanto em largo, em alto e profundo
Minha alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo
À luz do sol, na noite sossegada,
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.


Poema original escrito por Elizabeth Barret Browning
Tradução: Manuel Bandeira

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Inteiro

Inteiro
Eduardo Potiguar

Eu sou
Incondicionalmente seu,
sem vacilo e sem temor,
então fecho os olhos e
lanço-me em seus braços
domando aos poucos
o seu corpo.

Suas curvas
encaixam-se nas minhas,
como se fossem um jogo
de quebra cabeça, formando
um cenário típico do amor.

Aos poucos o desejo cede lugar
ao prazer que pulsa na veia,
guiando meus movimentos e
proporcionando sensações
que só você sabe dar.

Você me tem por inteiro,
usando-me mas também
deixando-se ser usada,
numa troca intensa,
onde sempre saímos saciados,
pois temos um ao outro.

Alta Tensão


Alta Tensão
Bruna Lombardi


Eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.


Pessoal, tem uma galerinha aí que vive dizendo: "eu sou o autor desse poema" ou até mesmo remodificando e se intitulando autor do poema, isso num vale. Você pode até modificar algo, mas quando te perguntarem você pelo menos deve dizer que, foi baseado no poema original Alta Tensão de Bruna Lombardi, beleza? Digo isso porque conheci esse poema há um certo tempo e a unica pessoa honesta que me disse o nome do autor foi outro poeta, Eduardo Potiguar. O restante das pessoas que eu perguntava de onde eles tinham tirado aquele texto, diziam: "ah! é meu mesmo, quanto tem inspiração escrevo essas coisas..." outras já diziam que era de um(a) amigo(a). Então vamos respeitar a competência e o trabalho dos outros.

Um lugar chamado São Paulo


Um lugar chamado São Paulo
Um lugar chamado Notting Hill
Wanderley Nunes

Um filme que é comparado com a minha vida é “Um lugar chamado Notting Hill”. O romantismo, a indecisão e a imprevisão dos acontecimentos que cercam o filme, também me cercam.
A história vem com um romantismo no qual eu me identifico, os personagens principais (Will e Anna) vivem uma conturbada história de amor e cada um deles tem características que eu encontro em mim.
Will é romântico, apaixonado, tímido e com uma família maluca. Já Anna é insegura, apaixonada, indecisa e alegre.
Fazer uma comparação de vida com um filme é muito difícil, mas pra mim foi fácil.
Uma das primeiras cenas é o encontro da atriz famosa com o vendedor de livros; ao mesmo tempo em que eu sou comum, às vezes consigo chamar a atenção sem perceber. Eu vivo me machucando, esbarrando em móveis, tropeçando, etc, resumindo, sou desastrado. Will derrama suco na roupa de Anna. Procuro ter as rédeas da minha vida nas minhas mãos, mas o destino me prega peças, vem a indecisão do que fazer e a insegurança. Anna se apaixona por Will, mas não admite.
A personagem principal vive sempre na mira de repórteres. Eu mal posso dar um passo que é pouco provável que não vire boatos, sempre falam de mim, coisas boas e ruins, isso me incomodava. Por querer manter a minha vida em sigilo surgem aqueles “disse, que não me disse, que me disseram, que vão me dizer”. Muitas vezes eu tenho que medir e pensar muito antes de falar e agir sempre de forma exemplar, pois sempre terá uma critica. Numa das cenas, Anna induz Will a pular um muro e entrar numa propriedade particular, tudo pelo simples prazer de admirar o jardim. Eu às vezes tenho vontade de quebrar um pouco a rotina, ser um pouco irresponsável, mas quando tenho uma atitude dessas ninguém consegue acreditar que eu a fiz, as pessoas costumam ficar impressionadas até com um simples palavrão que eu solto sem querer. Mais ou menos quando Anna disse umas palavras a um grupo de homens que falavam dela, todos ficaram boquiabertos com a atitude da atriz.
A imprevisão dos acontecimentos, a bagunça e o ir e vir de Anna estão constantes em minha vida; a esperança, o amor e o sofrimento de Will também. Eu posso tentar fazer o que quiser, fugir de alguém, ou não querer amar tanto, mas o destino é quem manda.
Uma das últimas cenas é da entrevista coletiva com Anna, onde se passando por um repórter Will se declara e vencendo a sua timidez em meias palavras pede para que Anna fique com ele. Resumindo “Um lugar chamado Notting Hill” é comparado a minha vida por quase tudo, romance, insegurança, bagunça, esperança, imprevisão, amizades malucas, querer mandar nos sentimentos, não poder falar e agir da forma que quiser e o amor dos dois personagens. Poderia se chamar “Um lugar chamado São Paulo”.
Em uma brincadeira Anna faz uma previsão triste do seu futuro para daqui a dez anos, tudo para ganhar o prêmio (o último biscoito do prato), mas o destino é quem decide o futuro de cada um.

Não me deixes


Não me deixes
Ne me quitte pás (Jacques Brel)

Não me deixes.
É preciso esquecer, tudo pode se esquecer que já se escapa. Esquecer o tempo dos mal-entendidos e o tempo perdido, a saber como esquecer essas horas, que por vezes matavam a golpes de porquê o coração da felicidade.

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,

Eu te oferecerei pérolas de chuva, vinda de países onde não chove.
Eu cavarei a terra até após a minha morte para cobrir o teu corpo de ouro e de luz.
Eu farei um domínio onde o amor será rei, onde o amor será lei, onde você será a rainha.

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,

Eu te inventarei palavras insensatas que você compreenderá.
Eu te falarei destes amantes ali que viram duas vezes seus corações se abraçar.
Eu te contarei a história deste rei, morto de não haver podido te encontrar.

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,

Viu-se freqüentemente o fogo do antigo vulcão, que acreditavam muito velho.
Parece que há Terras queimadas dando mais trigo que um melhor abril.
E quando vem a noite para que um céu pegando fogo, o vermelho e o negro não se casam.

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,

Eu não vou mais chorar, eu não vou mais falar, eu me esconderei aqui, a te olhar, dançar e sorrir, e a te escutar, cantar e então sorrir.
Deixa-me tornar-me a sombra de tua sombra, a sombra de tua mão, a sombra do teu cão,

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.

Procura-se um amigo

Procura-se um amigo
Vinícius de Moraes

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

PERSISTÊNCIA...

PERSISTÊNCIA...


Não havia nada que eu pudesse fazer...
Mas eu fiz! Alcançar tal coisa era impossível...
Mas eu a busquei! Não havia mais esperanças...
Mas eu as mantive! Não restava tempo para mais nada...
Mas eu lutei até a última hora! Não queriam mais...
Mas eu insisti!
A última palavra havia sido dada...
Mas eu ainda assim falei! Enfim...
Estou passando pela vida e tudo vai se fechando...
Mas a felicidade está em mim. Pois se nada tenho, por tudo lutei!
E sem me arrepender de nada, num futuro poderei dizer:
MAS EU TENTEI!
E ao olhar-me no espelho, a cada manhã, vou sempre dizer:
PELO MENOS EU TENTEI!

Não sou o autor, mas leia como se fosse.
Wanderley

Quase

Q u a s e
Sarah Westphal Batista da Silva


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perderam por medo, nas idéias que nunca saíram do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
...O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você, gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo planejamento, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

“Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos”.


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Ela


Ela

Ela, talvez seja o rosto que não consigo esquecer, um rastro de prazer ou de arrependimento. Talvez seja meu tesouro ou o preço que eu tenho de pagar.
Ela, talvez seja a música que o verão canta, o arrepio que o outono traz. Talvez seja cem coisas diferentes no decorrer de um dia.
Ela, talvez seja a bela ou a fera, a fome ou o banquete. Talvez transforme cada dia em um paraíso ou em um inferno.
Ela, talvez seja o espelho de meus sonhos, o sorriso refletido em um rio.
Ela, talvez não seja o que parece, dentro de sua concha.
Ela, que sempre parece tão feliz na multidão, cujos olhos podem ser tão discretos e orgulhosos ninguém pode vê-los quando choram.
Ela, talvez seja o amor que não pode ter esperança de durar. Talvez venha a mim das sombras do passado das quais me lembrarei até o dia em que eu morrer.
Ela, talvez seja a razão pela qual eu sobrevivo, o porquê de eu estar vivo, aquela que eu protegerei nos anos bons e ruins. Eu pegarei seu riso e suas lágrimas e farei deles minhas recordações.
Por onde ela for eu tenho que estar, o sentido da minha vida é ela.
Ela, oh, ela.

She (Elvis Costello) tema do filme Um Lugar Chamado Notting Hill

"Cada vez mais a letra traduzida de "She" vem fazendo sentido em minha vida, principalmente quando eu ligo a Samara Repolho, cada vez mais você está dentro do meu coração minha amiga e ninguém nem nada irá tirar você de lá, e das minhas recordações."

A vida por um fio

A VIDA POR UM FIO Eduardo Potiguar

A vida está por um fio é ele que nos mantém ligados e conectados, quando desligo você se vai e eu desapareço.
Simples, rápido, prático perigoso, inconstante, inseguro, inesperado ...Tantos adjetivos Ainda podem Ser dados.
E nesse mundo Real ou imaginário Historias surgem Das conveniências, Dos sonhos ou da Própria realidade.
E assim se forma A teia que captura As vítimas desatentas E alimenta os Predadores famintos, Ou simplesmente Une-os.

Meus amigos secretos


MEUS SECRETOS AMIGOS

Paulo Sant'Ana


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

Desfeita uma confusão que sempre esteve presente, este texto não é da obra de Vinícius de Moraes e nem pertence a Garth Henrichs. O autor é Paulo Sant’Ana (Cronista do Jornal Zero Hora).
Bom, acho que o texto e a foto já diz tudo, não preciso falar muito só me desculpar com os meus amigos que não estão na imagem, mas são muitos e logo estarão aqui em outro poema. Acho que amizade é algo inexplicável e raro, só tenho pena de quem joga uma amizade fora por vaidade, rancor, ou qualquer outro motivo.